Papa aos futuros sacerdotes: cristianismo não é moralismo, mas dom
O cristianismo não consiste tanto no respeito das normas externas como em penetrar no mistério de Deus, que se sacrificou gratuitamente e que sofreu por amor, e modelar nossos atos levando isso em consideração.
Foi o que afirmou no dia 12 de fevereiro o Papa Bento XVI, na Capela do Seminário Romano Maior, ao encontrar-se com mais de 200 alunos seminaristas da diocese de Roma. Eles estavam acompanhados por seus orientadores, diretores espirituais e educadores - e junto aos jovens do ano propedêutico que estão verificando sua vocação e a possibilidade de entrar no seminário em 2011.
Tradicionalmente, durante a festa de Nossa Senhora da Confiança, patrona do Instituto, que acontece sábado dia 13 de fevereiro, o Papa se encontra com os seminaristas e tem uma refeição com eles.
Este ano, pela primeira vez, se reuniram no Seminário Romano todos os seminaristas da diocese de Roma, incluindo os do Pontíficio Seminário Romano Menor, Colégio diocesano Redemptoris Mater, Almo Collegio Capranica e os do Seminário de Nossa Senhora do Amor Divino.
O Papa centrou a lectio divina na parábola da vinha e dos ramos (Jo 15,1-8), que tem muita relação com o Ano Sacerdotal que está acontecendo, porque “fala indireta mas profundamente do sacramento, do chamado, do estar na vinha o Senhor e dos servidores de seu mistério”.
A vinha - explicou o pontífice - é uma imagem veterotestementária que serve para indicar o Povo de Deus: “Deus plantou uma videira neste mundo. Deus cultivou e a protegeu”.
Ao mesmo tempo, continuou, “essa imagem da videira tem um significado esponsal e é expressão do fato que Deus busca o amor de sua criatura, que quer entrar em uma relação de amor, em uma relação esponsal com o mundo através do Povo eleito por Ele”.
Contudo, comentou o Papa, “a história concreta desse Povo é uma história de infidelidade”, que no lugar de “uvas preciosas”, gerou “somente pequenas coisas não comestíveis”.
Na verdade, “essa unidade, união sem condições entre homem e Deus”, não foi convertida “na comunhão do amor”. Ao contrário, “o homem se fecha em si mesmo, quer possuir a si próprio, quer ter Deus e o mundo para ele mesmo. E assim a vinha é devastada” e “se converte em um deserto”.
Mas “Deus - proseguiu o Papa - se faz homem e se converte ele mesmo na raiz da videira” e “ assim a videira é indestrutível porque Deus mesmo se implantou nesta terra”.
Por isso “o cristianismo não é um moralismo. Não somos nós quem devemos fazer o que Deus espera do mundo”, porque na realidade “devemos, antes de tudo, entrar nesse mistério ontológico em que Deus se entrega”.
Devemos “estar nele”, identificarmo-nos com Ele, ser “enobrecidos em seu sangue” para “atuar com Cristo”, porque - explicou o Papa - “a ética é consequência do ser” e “o ser precede o atuar”. “Não é uma obediência, uma coisa externa, e sim a realização do dom do novo ser”.







