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Jesus diante do pecador e do pecado



Salmo: 96 (95)
Leitura: João 8,1-11

Por Padre Luis Fernando Soares

À Igreja que se reúne nas casas, Paz!

Introdução: Nos primeiros tempos da Igreja, quando foram redigidos os livros do Novo Testamento de quase todas as cópias da Bíblia, foi tirada esta página do Evangelho de hoje. Por que motivo? Muito simples: até o leitor mais distraído fica estarrecido diante do “disparate” proferido por Jesus. Disse Ele à adúltera: “Pois eu também não condeno você” (versículo 11). Isto já é demais! Os maridos, os pais, os responsáveis, pela comunidade devem ter pensado: a vida de algumas mulheres já não é tão exemplar; se souberem que Jesus não condena certos modos de agir, então é o fim! Quem conseguiria mantê-las na linha?
Deus, porém, dispensa conselhos sobre o que Ele deve fazer ou falar, e, felizmente quis que esta página fosse mantida. O Evangelho nos leva a compreender que Jesus tem duas atitudes diferentes: uma com o pecador e outra, com o pecado. Vejamos:
1 – Uma mulher foi descoberta: “Aí alguns mestres da Lei e fariseus levaram a Jesus uma mulher que tinha sido apanhada em adultério.” (versículo 3). Uma mulher é descoberta… e não estava rezando o terço! É surpreendente que não se fale do “parceiro” (é difícil cometer adultério sozinho…). Sempre tem alguém que está à espreita dos pecados alheios, vendo sempre o pior das pessoas. A comunidade cristã não deveria ser um lugar de condenação, mas de acolhimento, ajudando o(a) irmão(ã) a sair da situação em que está vivendo, mas infelizmente nem sempre é assim. Às vezes, temos a atitude dos escribas e fariseus que se achando perfeitos, estavam prontos a atirar pedras. Quantas vezes jogamos as pedras da crítica, do preconceito, da fofoca e da incompreensão sobre as pessoas. Jesus não acolheu de bom grado os que foram a Ele falando sobre os pecados dos outros e nós, em nossas células e pastorais devemos fazer o mesmo. Se não for para ajudar não interessa!
2 – A atitude misericordiosa de Jesus: “Mas Ele se abaixou…” (versículo 6), Jesus que podia condenar não o fez, ao contrário, inclinou-se para a mulher, pois com certeza ela havia sido atirada ao chão por seus juízes e pelo seu pecado. Jesus inclina-se, abaixa-se, vai até o chão onde ela está. Foi exatamente isto que Cristo fez: veio do céu, tornou-se homem, conviveu com os pecadores e morreu por nós, para nos resgatar (conforme Filipenses 2,6-8). Jesus não veio para atirar pedras ou lama, não veio para condenar, mas para salvar. Ele disse à mulher: “Pois eu também não condeno você” (versículo 11). Esta deve ser a nossa atitude cristã, assim deve ser a nossa comunidade cristã, acolhedora, salvadora, não um tribunal, mas um hospital que cura o ferido e salva aquele (a) que esta à beira da morte. Devemos ser movidos pela mesma compaixão de Cristo.
3 – Cristo acolhe o pecador, não o pecado: “Vá e não peque mais!” (versículo 11). Se Jesus não julga e não condena, quer dizer então que o pecado não significa nada? Praticar o bem ou o mal é a mesma coisa?
De modo nenhum! O pecado é um mal muito grave que infelicita a vida de quem o pratica. Jesus não diz a mulher: “Vai em paz, fizestes bem em trair seu marido, continue fazendo assim…!” mas lhe diz: ”pare com isso, não peques mais, para não estragar a tua vida e tua família por um instante de prazer!”. Ninguém detesta o pecado mais do que Jesus, porque ninguém ama o homem mais do que Ele. Entretanto, não condena a pessoa que errou, para não acrescentar mais males aos que o pecador já cometeu.
Conclusão: O Evangelho continua incomodando muitos cristãos (os que sempre têm as mãos empunhando pedras, ou melhor, queria dizer… os que as têm na língua!) A Palavra de Deus nos ensina a acolher o(a) pecador(a), não o pecado, e a levá-lo(a) a viver uma vida nova. Que assim seja nossa paróquia e nossas células!

Perguntas
1- De que forma podemos tornar nossa célula mais acolhedora?
2- Minha atitude, em relação aos que erram, tem sido de acolhimento ou de condenação?

Boa reunião.
Que Deus o (a) abençoe!

Observação: As citações bíblicas usadas neste texto de reflexão foram extraídas da Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da Editora Paulinas. As numerações dos Salmos podem variar de acordo com a tradução da Bíblia.